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Armênia

O presidente da Armênia renunciou em meio a uma guerra interna com o primeiro-ministro

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Armen Sarkissian deixou o cargo depois que o chefe de governo bloqueou as negociações diplomáticas com a Rússia para melhorar as relações entre os países.

O presidente armênio, Armen Sarkissian, renunciou ao cargo no domingo passado, alegando falta de poder político no cargo do governo em um momento em que “o país e a nação precisam de mudanças profundas“.

O presidente não tem as ferramentas necessárias para influenciar processos radicais de política interna e externa nestes tempos difíceis para o país e a nação”, disse Sarkissian em comunicado publicado em seu site oficial.

O papel do presidente da Armênia é em grande parte cerimonial e o primeiro-ministro é que tem todo o poder político. Isso é relativamente novo no país do Cáucaso, pois a dinâmica foi introduzida na reforma constitucional de 2015 que transformou o país em uma república parlamentar, reduzindo os poderes presidenciais e favorecendo amplamente os do primeiro-ministro.

Sarkissian foi primeiro-ministro entre 1996 e 1997, sob a presidência de Levon Ter-Petrosian, o primeiro presidente eleito na história do país após a dissolução da União Soviética, e que tinha amplos poderes no cargo executivo.

Sua saída, após 4 anos no cargo, ocorre depois de uma série de fortes brigas internas com Nikol Pashinian, o atual primeiro-ministro. Sarkissian queria demitir o chefe do Estado-Maior do Exército depois de perder a guerra contra o Azerbaijão, quando eles disputavam o controle da região de Nagorno-Karabakh, mas Pashinian proibiu sua demissão.

Mais de 6.500 pessoas foram mortas nas seis semanas de combates, que terminaram em um acordo de cessar-fogo mediado pela Rússia, dando ao Azerbaijão parte do enclave e áreas vizinhas, consolidando uma vitória muçulmana definitiva.

Sarkissian também teve vários desentendimentos com o primeiro-ministro por causa de sua diplomacia com a Rússia. Segundo o presidente, Pashinian “jogou fora” anos de relações com o Kremlin, e de fato a Rússia não interveio em nome da Armênia na guerra, apesar de ter um tratado de defesa militar assinado entre as duas nações.

O agora ex-chefe de Estado tentou nas últimas semanas colocar a diplomacia do país em seu ombro e negociar de mãos dadas com Putin a reconciliação de amizades, mas Pashinian o criticou duramente, disse que esse trabalho pertence ao ministro das Relações Exteriores, e bloqueou suas negociações.

Diante da completa incapacidade de exercer qualquer papel ativo no governo, Sarkissian decidiu que não havia outra opção a não ser renunciar, e deixar que outro político “mais preparado para manter a cabeça baixa” assumisse esse papel.

“Vivemos em uma realidade em que o presidente não pode influenciar questões de guerra ou paz. Não pode vetar as leis que considera inconvenientes para o Estado e para o povo”, explicou em comunicado após o anúncio da sua demissão.

“É uma realidade em que o presidente não pode usar a maior parte de seu potencial para resolver problemas sistêmicos de política interna e externa. Uma realidade onde o mundo se encontra numa zona de constante turbulência, mas a presidência não tem instrumentos constitucionais para ajudar o seu país“, reclamou.

E acrescentou: “Uma realidade onde o chefe de Estado, por vezes até a sua família, é alvo de vários ataques de grupos políticos. Estes últimos não estão tão interessados ​​nas conquistas da instituição presidencial em benefício do país como no meu passado, várias teorias da conspiração e mitos. Essa ‘preocupação’ por mim vai além da moralidade e acaba afetando diretamente minha saúde”, disse, enviando uma forte mensagem aos demais dirigentes políticos e instituições do país.

Além disso, espera que no futuro sejam realizadas as reformas constitucionais necessárias para o bom funcionamento da Presidência. Resta esperar que o Parlamento se reúna nos próximos 25 dias, em sessão especial, para eleger o novo presidente do país. Por enquanto, Alen Simonyan, presidente da Assembleia Nacional, será responsável pelas funções presidenciais.

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